terça-feira, 8 de maio de 2007

Democracia/Liberdades, continuação

Meu caro PikaMyolos, folgo em saber que comungas dos meus ideais.

A opressão condiciona a liberdade, ainda que seja em nome desta, logo, uma é o oposto da outra e a forma de a combater, é pela educação e nunca foi minha intenção sugerir mandar os opressores, ou os que pensam diferente, para campos de concentração. Essa é a prática deles, por isso dizia que não bastava apregoar a democracia sem demonstrar os seus benefícios, em relação aos sistemas que se lhe opõem. A democracia impõe-se pela educação contra a ignorância e a Liberdade começa pela liberdade de pensamento e também nos dá a liberdade até de não crer ser livre.
Não comungo com aqueles que querem impor a Democracia a quem não a quer. Não sou partidário do Sr. Bush porque a democracia diz respeito ao povo de a crer ou não e como dizia em relação à Liberdade, também há várias democracias e nem sempre os que mais a apregoam são o seu melhor exemplo. A democracia é como o amor, quem ama não o diz, demonstra-o.

Pelo teu comentário, parecia que eu estava contra a Democracia, pelo contrário, em falta de melhor não temos alternativa, mas nada nos impede de tentar construir um sistema melhor, ainda que tenha a certeza de nunca se conseguir um que seja perfeito, ou não fosse ele criada pelo Homem, que pela mesma razão, está em permanente evolução.

Quanto aos de Santa Comba, têm todo o direito de terem um pensamento diverso, até porque não há só uma verdade, há várias mas, o que me preocupa são os que não são livres de pensar por eles e que de uma forma dogmática, deixam que outros façam deles “carneiros“.

1 comentário:

PikaMyolos disse...

Caro Mike,

Agradeço os teus sábios esclarecimentos.
Folgo em saber, agora sem quaisquer reservas, que aprovas a Democracia. Não que eu duvidasse, mas é que o primeiro parágrafo do teu post parecia ir nesse sentido.
Folgo mais ainda ao saber que embora aceites a Democracia, te sentes muito insatisfeito com ela, e que vais sempre lutando, irreverentemente, na ânsia de a melhorar. Este blog é prova disso mesmo.
Já agora, por me parecer oportuno, e por me parecer também que os que hoje mais reclamam são, em boa parte, os responsáveis pelo que vai acontecendo neste episódio a que nos temos referido como “os de Santa Comba”, aqui vai mais disto:
Se não queremos que os “Rotweillers” encontrem terreno fértil para arregimentar “carneirada”, não podemos voltar a cometer os erros do passado. Deveríamos já saber que esconder o lixo debaixo do tapete não torna casa alguma mais salubre.
O que se terá pretendido ao chamar “Ponte 25 de Abril” à “Ponte Salazar”? Esconder às pessoas que Salazar fez obra? Quem terá tido a inteligência de se lembrar de usar uma das obras mais emblemáticas de Salazar como monumento à revolução que derrubou definitivamente o seu regime? Parece até uma piada de mau gosto. Felizmente ninguém se lembrou de substituir os cravos por suásticas.
Se se tivesse mantido o nome da ponte, quando lá passei pela primeira vez após o 25 de Abril, talvez o meu pai me tivesse explicado que aquele nome que eu via ali, em letras metálicas cravadas na base de pedra do primeiro pilar, era o nome daquele que sacrificou os direitos, a liberdade, e em muitos casos até a vida, não apenas dos que nela trabalharam, mas de todos aqueles que o seu perverso génio se lembrou de oprimir e manter nas trevas.
Por todo o País se rasgaram retratos de Salazar, queimaram-se milhares de livros que alguns entenderam estar-lhe associados, derrubaram-se e destruíram-se os pelourinhos em frente às Câmaras, um pouco por todo o lado apagou-se aquilo que fazia recordar o antigo regime, ou seja, fez-se de tudo para tentar impedir que as gerações de hoje viessem a saber quem foi aquele homem, quiçá pensando que ao omitir a História, por artes mágicas esta deixasse de existir.
O verdadeiro erro, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, foi a fraca Democracia. Fraca por não ter deixado espaço à opinião daqueles que viam virtudes no regime deposto, facilitando assim o fabrico de uma memória colectiva completamente parcial, e portanto falsa, que atribuía ao tal senhor a responsabilidade por todas as desgraças, ocorridas e em curso, e à revolução tudo o que de bom se encontrasse.
Ora, como é sabido, “a mentira tem perna curta”, e uma vez acordado o “Fantasma” por um qualquer estúpido tv-show, para arregimentar a “carneirada” e pô-la aos heill’s pelas ruas, não necessitam os “Rotweillers” de mais do que expor ao ridículo algumas dessas mentiras ou omissões.

Morais da história:
Se a História estivesse bem contada não teria morrido, consequentemente, ninguém poderia estar hoje a tentar ressuscitá-la.
A Verdade quando exposta de forma que todos a entendam, aproxima a Democracia do Sistema Perfeito.