Fiquei de certo modo consternado ao ver hoje o Telejornal. Por um lado, o Papa Bento XVI a desembarcar numa Nação soberana e logo a coagir com ameaças de excomunhão os autores do referendo sobre o “aborto” e veladamente os que votarem a favor, como se os cristãos brasileiros que depois de assistirem a uma homilia (bastante animada por lá, com danças e conjuntos musicais) se for preciso, seguem logo para um sessão espírita ou candomblé, estivessem muito preocupados com a excomunhão, quando o que mais os preocupa é a falta de liberdades, segurança e a pobreza extrema em que a maioria vive. Por outro lado, as eleições em Timor Leste (Lorosae) e é destas que agora interessa falar.Durante anos, o Sr. Dr. Ramos Horta, esteve em Portugal exilado às expensas dos contribuintes, sob a égide da Democracia e do direito dos povos à sua independência, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz e pelos vistos, a palavra liberdade é coisa que não faz parte do seu vocabulário.
Apoiou o Sr. Bush que à revelia da ONU e do Direito Internacional, invadiu um País soberano com o pretexto de impor a democracia e as liberdades ao povo (único país do Médio Oriente onde havia liberdade de religião), quando por trás estavam os interesses económicos, alicerçados no petróleo e outras riquezas e não vale a pena fazer mais comentários, porque o resultado está bem patente.
Agora, vimo-lo na campanha para as eleições presidenciais manipular a consciência de um povo com um grande défice de instrução, a viver num estado de miséria extrema e por estas razões, facilmente manipulável (ou não entrasse mais depressa um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico no Reino dos Céus, no qual é obvio que a igreja não está interessada em entrar) por uma igreja que interfere num regime republicano que deveria ter como principio primordial a separação da igreja do estado e não se confundir com um Estado confessional, preocupando-se em publicitar a sua ida ao Bispo e o seu “aval” à sua candidatura a Presidente da Republica. Tudo isto seria normal se ficasse por aqui e não tivesse chamado Deus à sua campanha que foi presença constante nas suas intervenções.
Mas como dizia a minha avó – não há duas sem três – e a melhor forma de manipular, é condicionar a liberdade de pensamento de cada um com dogmas e aí o peso da religião (também o Bush se dizia inspirado por Deus para invadir o Iraque), é essencial para condicionar o exercício da cidadania em consciência, nem que para isso seja necessário aparecer à boca da urna, com toda a imprensa por perto, com uma camisola estampada com a imagem do Sagrado Coração de Jesus (e ainda por cá criticamos o Dr. Mário Soares quando faz algumas insinuações mais ou menos tendenciosas à imprensa depois de votar). Já sei, vão dizer que aqui é Europa e lá é Ásia e cada um é como cada qual. Mas o que não me vão convencer é que a Liberdade de Consciência ou qualquer outra, não é um Valor Universal e que tem de ter interpretações diversas tratando-se de um continente ou outro. O que diverge é o carácter e o oportunismo de cada um, dependendo das situações, oprimido ou opressor, e aqui a minha avó também dizia – não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu – e em algumas situações eu diria que “a porcaria é a mesma só mudam as moscas”.
Já alertava a Rosa Luxemburgo para aqueles que, vindo de outra classe social se alvoram em defensores do proletariado, porque o que eles vêm é uma possibilidade de liderança que não teriam na sua própria classe burguesa.
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