
Sr. Bispo António Marcelino, Digno Bispo Emérito de Aveiro, sei que não se vai dar ao trabalho de ler estas duas linhas mas (pode ser que por graça do Criador lhe vá ter às mãos e é a acreditar nisso que o faço), quem sou eu para ter tal pretensão? Quero confessar-lhe que li com muita atenção o seu artigo de opinião com o título “Maçonaria, república e poder governativo” e aproveito para lhe lembrar que a cólera e o ódio são pecados muito graves e que “quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras ao telhado dos outros”, “nem cuspir para cima porque lhe pode cair em cima”.
Não vou responder aos seus acessos de cólera contra a Maçonaria “Carbonária”, porque isso cabe a ela se achar que o merece, ou então, simplesmente ignorá-lo e não lhe dar nenhuma importância atendendo que a partir de certa idade ficamos um pouco gagás e perdemos a noção das coisas, principalmente do tempo, tempo esse em que o senhor parou, no Estado Novo, com quem a sua igreja estava “casada”, através de uma tal Concordata, o que não era de estranhar pois também o fez com Mussolini, Hitler, Franco, Pinochet, etc. coisas de uma Igreja do Império fundada pelo Constantino.
O que me preocupa é ser cidadão de um Estado Republicano, onde a laicidade é um dos seus pilares e ver nas Cerimónias oficiais do Estado uma cadeira reservada para a sua Igreja Romana se fazer representar sem direito a ela, os crucifixos nas escolas e hospitais públicos, como se estivéssemos no reinado dos reis católicos (que neste momento lhe dava jeito), fruto de uma democracia eternamente tolerante, onde os senhores não pagavam impostos, nem contribuições dos vossos negócios praticados na sacristia e ainda recebem subsídios do Estado para negócios que controlam e que eu saiba, esses privilégios não foram, nem são, extensivos a maçonaria mas, como dizia, em cima, é um problema dela e não meu.
Eu até compreendo que esteja preocupado com o número de maçons no Governo e na Assembleia de Republica. Eu também ficaria preocupado, não fosse o numero de amigos seus da Opus Dei e dos Católicos que por lá andam, que todos juntos, são em numero muito superior mas, o que se há-de fazer quando ninguém pode ser descriminado pelas suas opções particulares, o que não acontecia no Estado Novo, tempo em que a sua Igreja era parte do poder (mas “um dia é do caçador e o outro da caça”). Há uma velha máxima em África que diz “o macaco só vê o rabo nos outros”. Isto para dizer que devemos conhecer bem a nossa história antes de contar a dos outros e a história do Estado que representa, ainda que geograficamente ocupe em Roma um diminuto espaço de 108,7 acres – aproximadamente um oitavo do Central Park em Nova Iorque -, tem um lado negro muitíssimo grande que vem das cruzadas, perseguições, Inquisição, perversão do Papa Borgia e um desenrolar de práticas muito pouco cristãs até à actualidade e que o senhor não deve ignorar, assim como mortes sem explicações, como a do Papa do Povo Albino Luciani, que, por coincidência, queria mudar o rumo da Igreja. E já agora, porque não escreve artigos de opinião sobre nomes que lhe são bem familiares como: Banco Hambrosiani e os 14,5 milhões (na altura) de dólares em acções falsas, Bispo Paul Marcinkus, Cardeal Alberto di Jorio, Michele Sidona, Roberto Calvi, Licio Gelli, Bernardino Nogora, Humberto Ortolani (que Paulo VI destinguiu com “Cavaleiro de Sua Santidade”), as Acções na fábrica da pílula contraceptiva, em Sociedades Imobiliárias, fábrica de tanques de guerra, e um sem fim de outros nomes. A implicação na “Propaganda Due” com ligações à máfia, máfia que sempre foi uma grande cliente do Banco do Vaticano e mais não digo, por presumir ser do seu conhecimento e que seria um bom tema.
Para terminar e sem ressentimentos, atrevo-me a dar-lhe uma sugestão. Vem aí o verão, vista uns calções (essa vestimenta deve ser muito quente), pegue num chapéu de sol e uma cadeirinha, sente-se à beira da praia (que há muitas e boas por aí) e aproveite para ler e se não souber o que ler, gostaria de lhe sugerir dois autores, Mário Puzo e David Yallop.
Não vou responder aos seus acessos de cólera contra a Maçonaria “Carbonária”, porque isso cabe a ela se achar que o merece, ou então, simplesmente ignorá-lo e não lhe dar nenhuma importância atendendo que a partir de certa idade ficamos um pouco gagás e perdemos a noção das coisas, principalmente do tempo, tempo esse em que o senhor parou, no Estado Novo, com quem a sua igreja estava “casada”, através de uma tal Concordata, o que não era de estranhar pois também o fez com Mussolini, Hitler, Franco, Pinochet, etc. coisas de uma Igreja do Império fundada pelo Constantino.
O que me preocupa é ser cidadão de um Estado Republicano, onde a laicidade é um dos seus pilares e ver nas Cerimónias oficiais do Estado uma cadeira reservada para a sua Igreja Romana se fazer representar sem direito a ela, os crucifixos nas escolas e hospitais públicos, como se estivéssemos no reinado dos reis católicos (que neste momento lhe dava jeito), fruto de uma democracia eternamente tolerante, onde os senhores não pagavam impostos, nem contribuições dos vossos negócios praticados na sacristia e ainda recebem subsídios do Estado para negócios que controlam e que eu saiba, esses privilégios não foram, nem são, extensivos a maçonaria mas, como dizia, em cima, é um problema dela e não meu.
Eu até compreendo que esteja preocupado com o número de maçons no Governo e na Assembleia de Republica. Eu também ficaria preocupado, não fosse o numero de amigos seus da Opus Dei e dos Católicos que por lá andam, que todos juntos, são em numero muito superior mas, o que se há-de fazer quando ninguém pode ser descriminado pelas suas opções particulares, o que não acontecia no Estado Novo, tempo em que a sua Igreja era parte do poder (mas “um dia é do caçador e o outro da caça”). Há uma velha máxima em África que diz “o macaco só vê o rabo nos outros”. Isto para dizer que devemos conhecer bem a nossa história antes de contar a dos outros e a história do Estado que representa, ainda que geograficamente ocupe em Roma um diminuto espaço de 108,7 acres – aproximadamente um oitavo do Central Park em Nova Iorque -, tem um lado negro muitíssimo grande que vem das cruzadas, perseguições, Inquisição, perversão do Papa Borgia e um desenrolar de práticas muito pouco cristãs até à actualidade e que o senhor não deve ignorar, assim como mortes sem explicações, como a do Papa do Povo Albino Luciani, que, por coincidência, queria mudar o rumo da Igreja. E já agora, porque não escreve artigos de opinião sobre nomes que lhe são bem familiares como: Banco Hambrosiani e os 14,5 milhões (na altura) de dólares em acções falsas, Bispo Paul Marcinkus, Cardeal Alberto di Jorio, Michele Sidona, Roberto Calvi, Licio Gelli, Bernardino Nogora, Humberto Ortolani (que Paulo VI destinguiu com “Cavaleiro de Sua Santidade”), as Acções na fábrica da pílula contraceptiva, em Sociedades Imobiliárias, fábrica de tanques de guerra, e um sem fim de outros nomes. A implicação na “Propaganda Due” com ligações à máfia, máfia que sempre foi uma grande cliente do Banco do Vaticano e mais não digo, por presumir ser do seu conhecimento e que seria um bom tema.
Para terminar e sem ressentimentos, atrevo-me a dar-lhe uma sugestão. Vem aí o verão, vista uns calções (essa vestimenta deve ser muito quente), pegue num chapéu de sol e uma cadeirinha, sente-se à beira da praia (que há muitas e boas por aí) e aproveite para ler e se não souber o que ler, gostaria de lhe sugerir dois autores, Mário Puzo e David Yallop.






