terça-feira, 29 de maio de 2007

Só duas Palavrinhas Sr. Bispo....


Sr. Bispo António Marcelino, Digno Bispo Emérito de Aveiro, sei que não se vai dar ao trabalho de ler estas duas linhas mas (pode ser que por graça do Criador lhe vá ter às mãos e é a acreditar nisso que o faço), quem sou eu para ter tal pretensão? Quero confessar-lhe que li com muita atenção o seu artigo de opinião com o título “Maçonaria, república e poder governativo” e aproveito para lhe lembrar que a cólera e o ódio são pecados muito graves e que “quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras ao telhado dos outros”, “nem cuspir para cima porque lhe pode cair em cima”.
Não vou responder aos seus acessos de cólera contra a Maçonaria “Carbonária”, porque isso cabe a ela se achar que o merece, ou então, simplesmente ignorá-lo e não lhe dar nenhuma importância atendendo que a partir de certa idade ficamos um pouco gagás e perdemos a noção das coisas, principalmente do tempo, tempo esse em que o senhor parou, no Estado Novo, com quem a sua igreja estava “casada”, através de uma tal Concordata, o que não era de estranhar pois também o fez com Mussolini, Hitler, Franco, Pinochet, etc. coisas de uma Igreja do Império fundada pelo Constantino.
O que me preocupa é ser cidadão de um Estado Republicano, onde a laicidade é um dos seus pilares e ver nas Cerimónias oficiais do Estado uma cadeira reservada para a sua Igreja Romana se fazer representar sem direito a ela, os crucifixos nas escolas e hospitais públicos, como se estivéssemos no reinado dos reis católicos (que neste momento lhe dava jeito), fruto de uma democracia eternamente tolerante, onde os senhores não pagavam impostos, nem contribuições dos vossos negócios praticados na sacristia e ainda recebem subsídios do Estado para negócios que controlam e que eu saiba, esses privilégios não foram, nem são, extensivos a maçonaria mas, como dizia, em cima, é um problema dela e não meu.
Eu até compreendo que esteja preocupado com o número de maçons no Governo e na Assembleia de Republica. Eu também ficaria preocupado, não fosse o numero de amigos seus da Opus Dei e dos Católicos que por lá andam, que todos juntos, são em numero muito superior mas, o que se há-de fazer quando ninguém pode ser descriminado pelas suas opções particulares, o que não acontecia no Estado Novo, tempo em que a sua Igreja era parte do poder (mas “um dia é do caçador e o outro da caça”). Há uma velha máxima em África que diz “o macaco só vê o rabo nos outros”. Isto para dizer que devemos conhecer bem a nossa história antes de contar a dos outros e a história do Estado que representa, ainda que geograficamente ocupe em Roma um diminuto espaço de 108,7 acres – aproximadamente um oitavo do Central Park em Nova Iorque -, tem um lado negro muitíssimo grande que vem das cruzadas, perseguições, Inquisição, perversão do Papa Borgia e um desenrolar de práticas muito pouco cristãs até à actualidade e que o senhor não deve ignorar, assim como mortes sem explicações, como a do Papa do Povo Albino Luciani, que, por coincidência, queria mudar o rumo da Igreja. E já agora, porque não escreve artigos de opinião sobre nomes que lhe são bem familiares como: Banco Hambrosiani e os 14,5 milhões (na altura) de dólares em acções falsas, Bispo Paul Marcinkus, Cardeal Alberto di Jorio, Michele Sidona, Roberto Calvi, Licio Gelli, Bernardino Nogora, Humberto Ortolani (que Paulo VI destinguiu com “Cavaleiro de Sua Santidade”), as Acções na fábrica da pílula contraceptiva, em Sociedades Imobiliárias, fábrica de tanques de guerra, e um sem fim de outros nomes. A implicação na “Propaganda Due” com ligações à máfia, máfia que sempre foi uma grande cliente do Banco do Vaticano e mais não digo, por presumir ser do seu conhecimento e que seria um bom tema.
Para terminar e sem ressentimentos, atrevo-me a dar-lhe uma sugestão. Vem aí o verão, vista uns calções (essa vestimenta deve ser muito quente), pegue num chapéu de sol e uma cadeirinha, sente-se à beira da praia (que há muitas e boas por aí) e aproveite para ler e se não souber o que ler, gostaria de lhe sugerir dois autores, Mário Puzo e David Yallop.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Mãos à obra...

A vitória de José Ramos Horta nas eleições presidenciais de Timor-Leste foi um passo significativo para a criação de uma verdadeira democracia multipartidária, assim como para romper com o domínio da organização política que dirigiu a luta pela independência.
Trata-se apenas do primeiro passo para colmatar as profundas divisões políticas e sociais que, no último ano, mergulharam o país em confrontos generalizados, quatro anos apenas após a sua autodeterminação, em 2002.
Ramos Horta, que se tornou o rosto internacional da luta de Timor-Leste pela independência, durante os 24 anos da ocupação indonésia, obteve 69% dos votos na segunda volta das eleições, a 9 de Maio, segundo uma contagem provisória anunciada no dia 11 pela Comissão Eleitoral. Nestas eleições, que os observadores estrangeiros descreveram como bem organizadas e pacíficas, o seu adversário, Francisco Guterres, um antigo guerrilheiro, obteve 31 por cento. Os resultados oficiais deverão ser anunciados amanhã, mas Guterres reconheceu a derrota no dia 11. Ramos Horta deverá prestar juramento a 20 de Maio.
Esta eleição foi um duro golpe para o partido de Guterres, a Fretilin, que controla o Governo desde que Timor-Leste acedeu à independência. As Falintil, sua ala militar, já desmantelada, fizeram uma guerra de guerrilha contra a Indonésia desde 1975 e Guterres era um dos comandantes mais destacados do exército rebelde.
A Fretilin enfrenta agora uma dura batalha para conservar o poder nas eleições legislativas marcadas para 30 de Junho, nas quais vai concorrer com outros 15 partidos. Entre estes haverá o novo partido liderado por Xanana Gusmão, que comandou as forças da guerrilha até ser capturado, em 1992. Xanana optou por não se recandidatar a Presidente, a fim de poder concorrer às eleições e tornar-se primeiro-ministro, a verdadeira sede do poder em Timor-Leste.
O enfraquecimento do controlo do poder pela Fretilin, como sugerem os resultados eleitorais, poderá abrir caminho para uma democracia mais vibrante. Antes, ninguém teria acreditado que a Fretilin obteria apenas um quarto dos votos. A Fretilin tinha a hegemonia. Falta ainda, no entanto, ver se as eleições ajudarão a criar um governo mais eficaz e a ultrapassar as divisões existentes na sociedade timorense.
Desde a independência, a frustração popular face aos políticos tem vindo a aumentar de forma sustentada, devido ao facto destes não terem satisfeito as expectativas de criação de emprego, redução da pobreza e fornecimento de serviços básicos.
Uma das grandes fraquezas do Governo tem sido a falta de capacidade administrativa para implementar programas aprovados no orçamento. Esse facto tem levado a atrasos nas despesas do Governo em melhores infra-estruturas e serviços. Ao mesmo tempo, o investimento privado tem sido reduzido.
Segundo informações do Banco Mundial, num relatório recente, o desemprego em Dili, onde vive um quarto da população activa, é de cerca de 27%. Entre os jovens da cidade, essa taxa atinge perto de 40%, o que gera um terreno fértil para a delinquência.
As tensões chegaram ao rubro em Abril de 2006. Timor-Leste mergulhou numa crise política e de segurança, depois de 40% do Exército ter entrado em greve devido a uma alegada discriminação nas promoções e remunerações.
O Governo do primeiro-ministro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, despediu os soldados grevistas, desencadeando uma onda de violência em resultado da qual cerca de 150 mil pessoas saíram das suas casas e 37 outras foram mortas. Alkatiri foi forçado a demitir-se do cargo de primeiro-ministro, tendo sido substituído por José Ramos Horta, até à data ministro dos Negócios Estrangeiros.
Ramos Horta, de 57 anos, afirmou na sexta-feira que iria dedicar a sua presidência a sarar as feridas causadas pela violência do ano passado. Deu de imediato início a esse processo, depois de a sua vitória se ter tornado clara, contactando o candidato derrotado, Francisco Guterres, e encontrando-se com Mari Alkatiri.
Mostrou ser sua intenção trabalhar com os seus colegas do Governo e dos partidos políticos, com a Igreja, com o Presidente cessante, para prosseguir a estabilização do país, consolidar a nossa democracia e dar empregos ao povo.
No entanto, a presidência é um cargo sobretudo cerimonial e a verdadeira luta pelo poder travar-se-á nas legislativas, que decidirão que partido ou coligação irá governar e quem será primeiro-ministro.
Alguns observadores em Dili consideram que Xanana Gusmão, um aliado próximo de Ramos Horta, é o favorito para o cargo de primeiro-ministro, depois de ter assumido, há um mês, a liderança de um novo partido, o Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor. Contudo, é muito provável que venha a precisar do apoio de outros partidos para governar. Quando foi eleito Presidente, em 2002, Xanana Gusmão era um herói guerreiro, considerado como acima das disputas políticas. Ao aspirar ao cargo de primeiro-ministro, Xanana estará a pôr à prova a sua capacidade para implementar a governação sólida que a Fretilin não foi capaz de impor.
Apesar dos problemas que teve de enfrentar, durante os seus turbunlentos quatro anos no poder, o Governo Fretilin de Alkatiri não tinha falta de dinheiro no orçamento. As Nações Unidas estimaram que perto de 40% da população de um milhão de habitantes vivem com menos de 55 cêntimos por dia, o que faz de Timor-Leste um dos países mais pobres do mundo, apesar das receitas significativas dos campos de petróleo e gás natural.
As receitas do petróleo e do gás aumentaram o Fundo do Petróleo do país para cerca de mil milhões de dólares (738,5 milhões de euros). Segundo o Banco Mundial, em 2006, os saldos do orçamento e da balança de pagamentos correntes foram de mais de 100 % do produto interno bruto, com excepção do petróleo.
Garantir que o dinheiro é efectivamente gasto para aliviar a pobreza será um dos grandes desafios para o novo Governo.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

A propósito da França

A vitória de Nicolas Sárközy a 6 de Maio de 2007 na segunda volta das eleições presidenciais, com 53% dos votos, assinala uma viragem na história da V República francesa. Não se trata da simples recondução da direita ao poder que ocupou, ao mais alto nível, de 1958 a 1981 e novamente desde 1995. O programa do candidato da UMP, combinado com as forças que quis reunir a sua volta, assinalam uma inflexão fundamental: fazem com que Sárközy seja o primeiro presidente simultaneamente neoliberal, autoritário, pró-americano e pró-israelita.
O ruído sistemático de uma campanha eleitoral marcada por referências eclécticas, de Joana d'Arc a Léon Blum, não consegue mascarar o perfil político muito bem definido de Nicolas Sárközy. Ainda que defenda um voluntarismo graças ao qual o Estado poderia «proteger» a França e os franceses, o seu programa económico e social inspira-se largamente nas velhas receitas thatcherianas e privilegia… os privilegiados. Do mesmo modo, os seus arrebatamentos republicanos não conseguiram apagar uma visão da sociedade essencialmente securitária, que às reivindicações das classes populares e da juventude apenas responde com a repressão. Explicando isto talvez o que se segue, a sua «derrapagem» sobre as origens genéticas da pedofilia e do suicídio dizem muito acerca do sorrateiro eugenismo que o inspira. Por fim, apesar dos esforços para atenuar o efeito da unção pedida ao presidente George W. Bush, Sárközy não negou a vontade de se reaproximar da política americana, incluindo no Médio Oriente, para já não falar do anunciado enterro, através de um procedimento parlamentar, do referendo de 29 de Maio de 2005 sobre o Tratado Constitucional da União Europeia. Se o programa de Sárközy é importante, a «clientela» à qual se empenhou em vendê-lo não o é menos. Deste ponto de vista, as grandes manobras entre as duas voltas destinadas a recuperar o eleitorado de François Bayrou não apagam os meses de incitação ao de Jean-Marie Le Pen. A coberto de uma «reconversão» das tropas deste último à democracia, o candidato da direita interiorizou literalmente as teses da extrema-direita: da proposta de criar um ministério da imigração e da identidade nacional à recuperação da palavra de ordem «a França ama-se ou abandona-se»; da perseguição aos sem-papeis, até em frente às escolas, a abolição da lei de protecção dos menores de 1945; da pseudo-defesa dos que «se levantam cedo» contra os «oportunistas» e os «beneficiários de apoios sociais». Nenhum dos seus antecessores tinha ido tão longe para conseguir ser eleito. Convêm, por isso, avaliar bem a situação antes de saudar o recuo da Frente Nacional.
Os esforços de Sárközy e os apoios mediáticos maciços de que beneficiou não explicam contudo, por si só, o seu êxito, tal como não explicam os efeitos perversos, uma vez mais verificados, da eleição presidencial por sufrágio universal: personalização, demagogia, voto útil... Face à direita e à extrema-direita, pesou sobretudo a ausência de uma autêntica alternativa política. Desde 1969, nunca o total dos votos de esquerda na primeira volta (36,44%) havia sido tão fraco. E há razões para isso. O Partido Socialista deixou que as sondagens lhe impusessem uma candidata, Segolène Royal, que de facto conseguiu apagar o traumatismo de 2002, mas sem oferecer às forças populares uma perspectiva mobilizadora. Tanto mais que, ao seu lado, o Partido Comunista, a extrema-esquerda e os ecologistas não se uniram para prolongar as grandes mobilizações socais em defesa da Segurança Social e das pensões de reforma, o impulso do «não» no referendo de 29 de Maio de 2005 e a cólera das periferias urbanas. Para além das querelas de aparelho e de pessoas, o que está em causa é, em primeiro lugar, a incapacidade de se pensar uma política anti-capitalista a escala de França e da Europa.
É neste terreno que tem que se recomeçar a reconstruir, e sem demora. Porque, se vencerem as eleições legislativas, a direita e a extrema-direita no poder, tentarão fazer aprovar um grande número das suas medidas políticas de destruição social: contrato de trabalho único copiado do CNE (contrato de novos empregos); aumento do tempo de trabalho; obrigação de actividade em troca dos benefícios sociais mínimos; limitação do direito de greve; destruição do Código do Trabalho; supressão dos direitos de sucessão e, através do «escudo fiscal», do imposto sobre as grandes fortunas; prossecução do desmantelamento dos serviços públicos, da protecção social e das reformas; taxas progressivas nas despesas de saúde; não substituição de um em cada dois funcionários públicos que partem para a reforma; liquidação do mapa escolar; novas ameaças às aposentações; perseguição aos imigrantes, acompanhada de um apelo à mão-de-obra «escolhida» do Sul; relançamento da Europa liberal e apoio a política americana, etc. A esquerda vai precisar de todas as suas forças para resistir a esta ofensiva sem precedentes, mas também para reabrir uma perspectiva de mudança. Esta não é a perspectiva de qualquer militante partidário, mas tão somente de alguém empenhado na defesa de valores com os quais há muito está comprometido.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Ainda a Liberdade e aqui, de consciência.

Fiquei de certo modo consternado ao ver hoje o Telejornal. Por um lado, o Papa Bento XVI a desembarcar numa Nação soberana e logo a coagir com ameaças de excomunhão os autores do referendo sobre o “aborto” e veladamente os que votarem a favor, como se os cristãos brasileiros que depois de assistirem a uma homilia (bastante animada por lá, com danças e conjuntos musicais) se for preciso, seguem logo para um sessão espírita ou candomblé, estivessem muito preocupados com a excomunhão, quando o que mais os preocupa é a falta de liberdades, segurança e a pobreza extrema em que a maioria vive. Por outro lado, as eleições em Timor Leste (Lorosae) e é destas que agora interessa falar.

Durante anos, o Sr. Dr. Ramos Horta, esteve em Portugal exilado às expensas dos contribuintes, sob a égide da Democracia e do direito dos povos à sua independência, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz e pelos vistos, a palavra liberdade é coisa que não faz parte do seu vocabulário.
Apoiou o Sr. Bush que à revelia da ONU e do Direito Internacional, invadiu um País soberano com o pretexto de impor a democracia e as liberdades ao povo (único país do Médio Oriente onde havia liberdade de religião), quando por trás estavam os interesses económicos, alicerçados no petróleo e outras riquezas e não vale a pena fazer mais comentários, porque o resultado está bem patente.
Agora, vimo-lo na campanha para as eleições presidenciais manipular a consciência de um povo com um grande défice de instrução, a viver num estado de miséria extrema e por estas razões, facilmente manipulável (ou não entrasse mais depressa um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico no Reino dos Céus, no qual é obvio que a igreja não está interessada em entrar) por uma igreja que interfere num regime republicano que deveria ter como principio primordial a separação da igreja do estado e não se confundir com um Estado confessional, preocupando-se em publicitar a sua ida ao Bispo e o seu “aval” à sua candidatura a Presidente da Republica. Tudo isto seria normal se ficasse por aqui e não tivesse chamado Deus à sua campanha que foi presença constante nas suas intervenções.
Mas como dizia a minha avó – não há duas sem três – e a melhor forma de manipular, é condicionar a liberdade de pensamento de cada um com dogmas e aí o peso da religião (também o Bush se dizia inspirado por Deus para invadir o Iraque), é essencial para condicionar o exercício da cidadania em consciência, nem que para isso seja necessário aparecer à boca da urna, com toda a imprensa por perto, com uma camisola estampada com a imagem do Sagrado Coração de Jesus (e ainda por cá criticamos o Dr. Mário Soares quando faz algumas insinuações mais ou menos tendenciosas à imprensa depois de votar). Já sei, vão dizer que aqui é Europa e lá é Ásia e cada um é como cada qual. Mas o que não me vão convencer é que a Liberdade de Consciência ou qualquer outra, não é um Valor Universal e que tem de ter interpretações diversas tratando-se de um continente ou outro. O que diverge é o carácter e o oportunismo de cada um, dependendo das situações, oprimido ou opressor, e aqui a minha avó também dizia – não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu – e em algumas situações eu diria que “a porcaria é a mesma só mudam as moscas”.

Já alertava a Rosa Luxemburgo para aqueles que, vindo de outra classe social se alvoram em defensores do proletariado, porque o que eles vêm é uma possibilidade de liderança que não teriam na sua própria classe burguesa.

Irreverências na Saúde

O debate político originado em torno das urgências tem sido rico em demagogia e pobre em esclarecimentos úteis para a população. É pena que esse debate se centre tanto em questões do passado e presente e menos na reflexão estratégica que é necessário acontecer para debelar o verdadeiro problema do SNS: a oferta de serviços pouco eficazes na maximização da saúde dos seus utentes e muito eficazes na criação de uma excessiva dependência por parte daqueles que se encontram doentes.

É apelativa a lógica do ganho fácil de votos e defender "saúde para todos" dentro do actual paradigma do SNS, no qual saúde é igual a tratamento, com a urgência médica à cabeça! Mas, no actual Serviço Nacional de Saúde, quanto mais forem prestados serviços de saúde, maior será o crescimento do deficit das contas públicas.

Qualquer pessoa que defenda o direito à saúde, ou às urgências, sem defender uma profunda mudança do actual paradigma de prestação de serviços do SNS não está a prestar um bom serviço ao país e limita-se a enganar os portugueses.

Aquilo que urge é um esforço concertado de educação da população, bem como dos prestadores de cuidados de saúde. Assumir esta perspectiva poderá incluir a introdução de mais participação da cidadania no planeamento da saúde.

Se defendermos o encerramento de urgências, ou a aplicação de taxas na prestação de certos serviços de saúde, sobretudos os mais onerosos, devemos exigir igualmente mais eficácia em saúde.

As taxas moderadoras "cegas aos benefícios clínicos" irão desencorajar por igual todo o tipo de tratamentos, incluindo aqueles que realmente sejam mais eficazes. Não apenas a gratuidade dos tratamentos eficazes deve ser um objectivo, como também as taxas moderadoras deveriam promover igualmente comportamentos saudáveis.

O sonho de um SNS como um bem gerido, prestador universal e equitativo de todos os cuidados de Saúde de que a população precisa, arrisca-se a tornar num pesadelo. É um desperdício se o Estado não estabelecer sinergias e procurar maximizar o contributo de todos os actores não estatais, tanto no combate à doença, como na luta pela melhoria do estado de saúde da população.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Educação para a cidadania

As crianças aprendem valores essenciais para uma vida digna e solidária, na convivência com sua família e com a comunidade. A melhor maneira de as ensinar é pela pedagogia do exemplo, das atitudes e do diálogo. A maneira como a família convive com a comunidade, dá às crianças a oportunidade de conhecer e respeitar outras formas de viver, pensar e agir.
A família deve perguntar a opinião das crianças sobre as coisas simples, para que elas possam aprender a participar na vida familiar. Elas têm direitos que a família deve conhecer para lhes dar um bom começo de vida. Vendo os seus direitos respeitados, as crianças aprendem a respeitar o direito dos outros. Os pais devem conversar muito com os filhos e explicar-lhes tudo o que for possível. É importante perguntar as suas opiniões e respeitar o que eles pensam. Os pais educam pelo exemplo das palavras e atitudes.
Quando os pais cumprem os seus deveres e respeitam os direitos das crianças, estão a ensinar-lhes os valores da cidadania. A família tem o dever de ensinar as crianças a reconhecer e respeitar regras, valores e costumes diferentes dos seus, para que seja possível desenvolver um espírito de tolerância, base da construção de um mundo melhor.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Maddie McCann's - Divulgação







Desapareceu a MADDIE.
Com apenas 3 anos de idade, desapareceu do seu quarto (na Praia da Luz -Algarve) a pequena MADDIE.
Por favor, ajudem a divulgar as fotos da pequena Maddie.. para ajudarem aencontra-la e encontrar o autor deste acto monstruoso.. divulgar ao maior numero de pessoas possível.. para que todos os portugueses decorem a cara da menina.. se possível para além fronteiras.. para que com sorte alguém consiga reconhecer esta linda menina.. e leva-la para onde ela deve estar.. juntodos seus pais.. POR FAVOR AJUDEM.. É um dever de todos nós.. A preocupação é grande e o empenho na sua procura tem que ser ENORME. Ficam aqui as imagens da pequena MADDIE.
Quem tiver algum sinal desta menina (que vai aparecer certamente) ligue para um destes números de telefone: 289 884 500, 282 405 400, 218 641 000, 112 Com certeza a MADDIE vai aparecer.. se todos nós nos juntarmos na suaprocura.. e no conhecimento ao povo da sua linda carinha.. Não fiquem indiferentes.

Democracia/Liberdades, continuação

Meu caro PikaMyolos, folgo em saber que comungas dos meus ideais.

A opressão condiciona a liberdade, ainda que seja em nome desta, logo, uma é o oposto da outra e a forma de a combater, é pela educação e nunca foi minha intenção sugerir mandar os opressores, ou os que pensam diferente, para campos de concentração. Essa é a prática deles, por isso dizia que não bastava apregoar a democracia sem demonstrar os seus benefícios, em relação aos sistemas que se lhe opõem. A democracia impõe-se pela educação contra a ignorância e a Liberdade começa pela liberdade de pensamento e também nos dá a liberdade até de não crer ser livre.
Não comungo com aqueles que querem impor a Democracia a quem não a quer. Não sou partidário do Sr. Bush porque a democracia diz respeito ao povo de a crer ou não e como dizia em relação à Liberdade, também há várias democracias e nem sempre os que mais a apregoam são o seu melhor exemplo. A democracia é como o amor, quem ama não o diz, demonstra-o.

Pelo teu comentário, parecia que eu estava contra a Democracia, pelo contrário, em falta de melhor não temos alternativa, mas nada nos impede de tentar construir um sistema melhor, ainda que tenha a certeza de nunca se conseguir um que seja perfeito, ou não fosse ele criada pelo Homem, que pela mesma razão, está em permanente evolução.

Quanto aos de Santa Comba, têm todo o direito de terem um pensamento diverso, até porque não há só uma verdade, há várias mas, o que me preocupa são os que não são livres de pensar por eles e que de uma forma dogmática, deixam que outros façam deles “carneiros“.