sábado, 28 de abril de 2007

Democracia/Liberdades



Meu Caro PikaMyolos, por aqui começo a reconstrução.

Uma Sociedade livre e justa não se constrói coabitando com os que a ela se opõem (a Liberdade de uns começa onde acaba a de outros). A liberdade conquista-se contra a opressão em todas as suas frentes.
Há duas liberdades, a liberdade das minorias dominantes, de oprimir, explorar e ditar as regras que lhes são favoráveis na manutenção dessas “liberdades” e a Liberdade de se libertar dessa “liberdade”, a Liberdade de ser Livre, Livre até de querer ser oprimido.

Em Abril de 74, objectivou-se a libertação do País das garras do Estado Novo, pela instauração das liberdades, sob a égide da Democracia, que enferma de muitas limitações mas, em falta de melhor, não temos outra alternativa senão construir uma Sociedade mais Fraterna, mais Justa, onde todos sejam iguais e não uns mais iguais que outros, com o respeito pelas diferenças em todas as suas vertentes, sem complexos do passado, passado este que, quando contrário às premissas de uma nova Sociedade mais evoluída, deve fazer parte da memória colectiva, para que não se venha a repetir. Uma sociedade no sentido da descoberta de um Estado melhor, em alternativa à Democracia. Por uma nova classe de políticos, livres e não medíocres, subjugados a interesses económicos de minorias dominantes e mesquinhas, de quem são meras marionetas, por nós eleitos, onde possamos também ser governados por tecnocratas, sábios reconhecidos pelas bases, que é o Povo e que governem em direcção dos interesses destes, por uma melhor forma de vida, digna, com Saúde, Educação (cujo pecado original é a ignorância) e Justiça, onde não haja lugar para corrupção, tráfico, lavagens, etc., pela defesa do ecossistema, no cumprimento do Protocolo de Quioto, pela preservação de um futuro habitável, para que não sejam os próximos a pagar pelos nossos erros, causados pela ganância desenfreada de poderes instituídos, onde o lema é “quem vier atrás, que feche a porta”. Para isso, já basta o “pecado original” de andarem a pagar as dívidas do Adão e Eva mitológico (mas como dizia a minha avó, “presunção e água nas bentas, cada um leva a que quer”), não precisam que lhes criem mais credores.

Deparamo-nos hoje com um fenómeno crescente por toda a Europa, de movimentos de extrema direita e até nazis, muitas vezes lideradas por indivíduos que mais parecem “rotweiller’s” a comandarem pobres coitados, menos informados que, “de uma forma folclórica” vão aderindo a estes movimentos, fruto de uma sociedade consumista e egoísta, desprovida de valores humanos, que não consegue por termo à exclusão social e encurtar o distanciamento que separa uma pequena percentagem dos muito ricos, de uma grande percentagem dos muito pobres e de que Portugal não está imune. Muitas vezes, esquecemo-nos que o planeta é de todos os que o habitam e não de alguns que ainda se sentem no direito de dar algumas esmolas aos outros, esquecendo-se do que alguém disse, “quando se dá uma esmola, não se está a fazer mais que devolver parte do que lhe pertence” e eu acrescento, do que lhe foi sonegado.

Vemos o que se está a passar em Santa Comba onde pessoas, infelizmente, com um grande défice cultural, em que a ignorância e o desconhecimento do passado é terreno fértil aos oportunistas, os tais “rotweiller’s” que de uma forma populista os manipulam, conseguindo incutir-lhes uma “raiva” primária, anti-democrática, com bases ocultas de racismo e xenofobia.
Se o Estado Democrático tivesse já criado um museu sério e isento, onde se perpetuasse a memória do que foi o Estado Novo e a sua face visível, Salazar e se preocupasse em incluir no curriculum escolar as razões da sua destituição, evitando o que verificamos hoje quando perguntamos a alguém que nasceu depois de 1974 o que foi o 25 de Abril e obtemos respostas tão disparatadas, fruto de uma ignorância inaceitável, nesta era da globalização da informação, onde as recentes gerações sabem tanto de tudo a nível planetário e tão pouco do passado recente (histórico), no espaço tão reduzido do seu País no contexto mundial, haveria agora pretexto para querem criar um museu com objectivos sectários e tendenciosos em Santa Comba, a servirem interesses duvidosos, com fins escusos bem definidos?
Então onde é que está o erro?

Teria sido evitado se nos tivéssemos libertado dos complexos do passado e não ficássemos a apregoar e só, os benefícios da democracia, àqueles a quem queremos fazer passar a mensagem, sem uma referência contrária, sendo mais pedagógicos, não com programas absurdos de uma televisão pública como o concurso dos “Grandes Portugueses”, como se fosse possível desenquadrar o vulto da sua época, tempo e espaço, o que ainda veio a acrescentar mais achas a esta fogueira que precisa é de água mas, demonstrando que para um efeito há sempre uma causa e que neste caso a causa é a ditadura do Estado Novo, na figura de Salazar e o efeito, a implantação da democracia nos valores da Liberdade, Liberdade esta de que se servem os que lhe são contra, para se manifestarem.


É necessário acabar com a política de ocultar o que de momento nos interessa em favor daquilo que no momento é mediático.

É preciso credibilizar a Democracia contra a ditadura democrática, com personagens caricatas que chegam a rondar a imbecilidade como o João Jardim na Madeira, sem o mínimo respeito pelas instituições democráticas e com algumas práticas a que já assistimos no passado Estado Novo, ministros prepotentes e arrogantes sem o mínimo respeito por aqueles que os elegem. Só possível com uma nova classe de políticos, que não façam falsas promessas, que respeitem eleitores, não os considerando acéfalos, para que, como eu e outros que já não acreditam nos políticos, nem na política e quase descrentes na Democracia, se vêem obrigados, para não faltarem ao seu dever cívico, a votar em pequenos partidos sem pretensões a governar (ainda que não estejam totalmente de acordo com os seus programas ideológicos), para assim verem vozes opositoras aos titulares do poder (no mesmo círculo de interesses), que se vão alternando e que por força da razão, não se podem hostilizar a não ser nos mínimos para salvarem as aparências, para que os seus eleitores não se sintam defraudados, apostando assim na ingenuidade e amnésia colectiva (os tais “pobres de espírito de quem é o reino dos céus”), que ainda há salvadores da pátria e que os culpados são os anteriores, e assim vão levando a água ao seu “moinho”.

Liberdade sim, mas até para a liberdade há limites que a impedem de se pôr em causa a si própria. Queremos a Liberdade de sermos livres, até de casos/folhetins de Independentes, Modernas e outras que ainda hão de vir.

Para isso, devem continuar a contribuir instituições de Homens Livres, que com todo o seu passado, contribuíram para as causas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Continua ... Autarcas/corrupção e favorecimentos...

1 comentário:

PikaMyolos disse...

Caro Mike,
Creio entender o teu ponto de vista quando dizes que “uma sociedade livre e justa não se constrói coabitando com os que a ela se opõem”. De facto, se não excluirmos estes últimos, ao aplicar a velha máxima “a liberdade de uns começa onde acaba a de outros”, ficamos com um conjunto vazio de liberdades para cada um.
Não percebi bem o caminho que apontas. O que queres dizer com “a liberdade conquista-se contra a opressão em todas as frentes”? Como sabes, aqueles que pensam diferente de ti, os de Sta. Comba e outros, são infelizmente mais do que muitos. O que propões? Acabamos com a sua raça? Mandamo-los para Aushwitz ou fechamo-los em Caxias?
Essa sociedade livre (para alguns) que tu propões, não me parece tão justa quanto isso.
Creio que ainda prefiro a democracia ainda que “coabitando com os que a ela se opõem”, que é o preço a pagar. Não deixo no entanto de aspirar a ter um dia uma verdadeira democracia, e não este… nem sei o que lhe chamar… sistema político, em que alguns vão fingindo que dão a escolher ao povo o que este pretende, e este, ignorantemente, vai votando, na ilusão de que está de facto a escolher alguma coisa que não seja o perpetuar dos tachos dos primeiros.
A liberdade está na possibilidade de escolher. Para escolher, em primeiro lugar, têm que se conhecer as opções. Sem isso, o povo parece um conjunto de baratas tontas que passa a vida a lutar sem sequer saber pelo quê.
Invista-se na educação, instrua-se o povo. Vão ver que então ele saberá escolher. E certamente, se a isso for obrigado, lutará por esse direito. Talvez então escolha o tal conjunto de Sábios Tecnocratas, mas nessa altura, graças à instrução que possui, saberá fiscalizá-los impedindo-os de se deixar corromper pelo poder.