domingo, 31 de agosto de 2014

DE BALDE À PROCURA DO DONATIVO

Vivemos uma época da despersonalização e queda da identidade cultural, transformando-nos em autómatos, num carneirismo seguidista das ditaduras das modas, demonstrando uma falta de imaginação, deixando-se (como no vestiário, calçado, etc.) escravizar pelas ditas tendências impostas por um “mercado” de homens e mulheres de gosto duvidoso, ao ponto do bizarro, como o de um tal José Castelo Branco que como as mulas, é um hibrido, a uma senhora Paula Bobone, des-situada no tempo e espaço que se acham no direito de impor estilos e tendências de que nos tornamos reféns. O mesmo se está a passar com a cópia dos banhos públicos que transformaram as pessoas em "macacos de imitação", travestidos de palhaços, a desperdiçarem um bem escaço em muitos pontos do planeta, onde o acesso à água potável não é possível, num desrespeito total por esses povos. Só para terem uns segundos de notoriedade numa tentativa de um protagonismo efémero, que até chega ao ponto bizarro - de uma loira que poderia ser morena, montada num cavalo, despejar o balde e logo de seguida ser atirada ao chão pelo cavalo que demonstrou mais inteligência que ela -, em contra partida de um suposto donativo que muitas vezes não chega a acontecer, ficando-se pelo “banho” e que agora se alargou a outros peditórios, como os bombeiros que bem sabem da falta que a água faz, muitas vezes, no combate aos incêndios. Não é que a água gasta nesses “banhos”, seja ela de balde ou agulheta, tenha significado na sua sustentabilidade mas é uma questão de princípio. Não seria mais fácil de uma forma discreta, darem apenas o donativo e pronto? Será que chegamos ao ponto da desumanização em que para sermos solidários (que deveria ser um impulso intuitivo e voluntário), precisamos de uma motivação compensatória? Parece que ainda não entendemos porque nos organizámos em sociedade e quais os seus valores perenes que nos distinguem da selva em que um deles, é precisamente a solidariedade e a contribuição para o melhoramento do bem-estar de todos, em que quem mais pode, ajuda os com menos possibilidades.

O que estará a faltar nesta sociedade em que apenas conta o próprio umbigo, as catedrais passaram a ser de consumo, a conversa é apenas à distância através de teclados, com imagens e vocábulos sintéticos, onde o telemóvel tem lugar junto aos talheres numa mesa de refeições? Tem um nome, VALORES que com ou sem balde sucumbiram…   

Que me desculpem os seguidores desta moda dos “banhos públicos” e não estou a falar dos da, “Civilização do Vale do Indo”, no actual Paquistão, “Grécia” ou “Roma”, onde tinham como objectivo relaxar e socializar, estou-me a referir aos “de balde”. Se precisam de água para fazerem um donativo, por uma causa justa, deixem-se de “Ice Bucket Challenge”, sejam mais imaginativos e criem um modelo mais à portuguesa “Atirem-se ao Rio ou ao Mar”, que também tem água e é corrente, para além de este ano, por razões atmosféricas, também ser fria e assim poderem gritar Aiiiii e é total.

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